
Os Quatro Amores (Storge, Philia, Eros e Ágape): conheça e entenda os diferentes tipos de amor!
Junho é o mês dos namorados e é certamente o mês em que mais se ouve falar do amor. Mas afinal de contas, o que é o amor? O entendimento do amor é fundamental para toda sociedade e em especial para aqueles que compartilham da fé cristã. Deus é Amor, de fato, mas o amor é Deus? Nem sempre que dizemos a palavra “amor” queremos dizer a mesma coisa. Das mais diversas definições, a mais comum é a divisão entre o amor romântico e o amor fraternal, mas seriam esses os únicos tipos que existem? Vamos ver hoje que na verdade, podemos dividir o amor em 4 tipos diferentes. O texto de hoje é baseado na obra “Os Quatro Amores” de C.S Lewis e vamos conhecer cada um dos 4 tipos de amor e o que caracteriza cada um deles. Afeição (Storge) Amizade (Philia) Amor romântico (Eros) Caridade (Ágape) Vamos entender melhor essas definições e analisar de forma profunda o que, de fato, é o amor. A distinção dos Amores Para iniciar a nossa descoberta dos amores, vou introduzir com a primeira distinção dos amores que Lewis faz. Antes de entrar nos Quatro Amores, é necessário entender a diferença entre o Amor-Dádiva e o Amor-Necessidade O Amor-Dádiva e o Amor-Necessidade Eles serão a base para entendermos os conceitos de cada tipo de amor. O Amor-Dádiva é o amor mais parecido com o próprio Deus, é o amor que faz um homem trabalhar e lutar pelo futuro de seus filhos, mesmo que não esteja lá para usufruir de tudo que conquistou. É o amor de Deus pela humanidade, que dá tudo que é e tem a Jesus, e Jesus tem o mesmo amor pelo Pai, entregando-se de volta ao Pai e se dando ao mundo. Já o Amor-Necessidade é o que reflete a nossa natureza humana, nascemos desamparados, nus, vulneráveis e assim que nos damos conta dessa realidade, experimentamos a solidão. Precisamos dos outros se quisermos saber qualquer coisa, inclusive sobre nós mesmos. O Amor-Necessidade é o que faz uma criança correr assustada e sozinha para os braços da mãe, como viu Platão, nosso Amor-Necessidade é o filho da pobreza. A intenção de Lewis, não é apresentar o Amor-Necessidade como uma coisa ruim e feia, mas demonstrar que esse tipo de amor pode ser usado de forma egoísta e destrutiva. Como o próprio Lewis diz: “Uma demanda tirânica e voraz por atenção, pode ser horrível. Entretanto, ninguém chama uma criança de egoísta só porque ela busca conforto em sua mãe, ou um adulto ‘companhia’ em seu par.” Onde existe o Amor-Necessidade pode haver sim, pontos de atenção para que ele não se torne uma coisa ruim. Mas seres humanos que não o sintam, são os que chamamos de egoístas e frios, tendo em vista que precisamos uns dos outros, não sentir necessidade de outros é um sintoma ruim, assim como a falta de apetite, já que realmente precisamos nos alimentar. “O amor torna-se um demônio, no momento em que se torna um deus.” Deus é amor, mas o inverso não é verdadeiro. Quantas atitudes foram justificadas como “foi por amor”, como se o amor pudesse ocupar tamanho nível de devoção a ponto de ser suficiente. O gostar e o amar em relações sub-humanas Quando crianças, fomos diversas vezes repreendidos por “amar” coisas, Lewis menciona que na sua criação isso ocorreu também, na língua inglesa isso se dava pelos termos “gostar” e “amar”. Nós brasileiros ainda tínhamos outro verbo polêmico nesse sentido, o “adorar” (especialmente para crianças cristãs). Quem nunca ouviu a famosa frase “adorar somente a Deus” quando o sentido da frase era somente “gostar muito”. Bom, acredito que você já tenha entendido a minha contextualização da visão de Lewis sobre o assunto. Prazer Necessidade e o Prazer de Apreciação Gostar de algo significa ter algum tipo de prazer, sendo o prazer dividido por Lewis em dois tipos: Prazer Necessidade: Que são os que se tornam prazeres apenas se precedidos pelo desejo, como por exemplo, um gole d’água que sacia uma sede intensa. Prazer de Apreciação: Que são os prazeres em si mesmos sem necessitar de nenhum tipo de preparação, como por exemplo, um cheiro muito bom que sentimos ao caminhar por um jardim. Um vício pode transformar um prazer do primeiro tipo em prazer do segundo tipo. Quando prazeres-necessidade estão em evidência, tendemos a fazer afirmações sobre nós mesmos no tempo passado. Já nos prazeres-apreciação tendemos a afirmar sobre o objeto de prazer no tempo presente. Essa água matou a minha sede. (prazer-necessidade) Essas flores têm um cheiro muito bom. (prazer-apreciação) Os prazeres-necessidade prenunciam os nossos amores-necessidade. Nesse último, a pessoa amada é vista em relação às nossas próprias necessidades, assim o Amor-Necessidade não durará mais do que a própria necessidade. Outro amor precisa estar incluído e sustentá-lo quando a necessidade desaparecer. Nosso Amor-Necessidade por Deus está em uma posição diferente, já que a nossa dependência por Ele nunca acaba, porém a nossa consciência dessa necessidade pode enfraquecer e dessa forma, nosso Amor-Necessidade também se esvai. O prazer apreciativo e o amor apreciativo entre homens e mulheres geram admiração; entre o homem e Deus, gera adoração. Nosso Amor-Necessidade por Deus nos faz clamar a partir de nossa pobreza, o Amor-Dádiva deseja servir e até mesmo sofrer por Deus. Já o amor-apreciativo nos faz dar Graças a Ele por sua grande Glória. Nosso Amor-Necessidade entre humanos é o que diz “não posso viver sem ele (a)”. Nosso Amor-Dádiva aspira cuidar da pessoa mesmo se não recebermos nada e o amor-apreciativo suspira, alegra-se, apenas pelo fato da pessoa existir. Normalmente, esses três elementos se misturam. Os Quatro Amores Agora que entendemos essa divisão base, podemos compreender o conceito dos Quatro amores apontados por C.S. Lewis. Vamos ver, um a um, e apresentar suas principais características: Afeição: Storge É o mais simples e mais amplamente difuso dos amores. O amor Storge é aquele pelo qual nossa experiência parece diferir pouco dos animais (e com essa afirmação Lewis ressalta que não está desprezando
