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Síndrome de burnout em pastores e líderes cristãos: como lidar e o papel da igreja

Em um tempo no qual a razão do mundo é gerar lucro, vivemos em uma sociedade de extrema pressão e cobrança. Um dos grupos mais afetados por esse pensamento são os próprios líderes, principalmente quando não suprem as expectativas depositadas neles. Essa realidade não é diferente no meio eclesiástico.  Líderes cristãos estão sendo cada vez mais pressionados a fazer sua igreja local crescer e cuidar do próximo mais do que cuidar de si mesmo.  Assim a demanda exagerada dentro das igrejas leva à desatenção com a família e ao descuido de si mesmo, que causam cada vez mais sofrimento.  Como reflexo de tudo isso aparece o tema do post de hoje: a Síndrome do Burnout.  Além de ser uma pauta atual, é super importante falar sobre ela e como é possível preveni-la, especialmente quando ela se tornou tão comum dentro de círculos da fé cristã. Então, continue com a gente! O que é burnout? A palavra Burnout vem do inglês, dos termos burn, que significa “queimar” e out, que tem o significado de “exterior”. Quando juntos, temos o nome da síndrome que denota esgotamento total proveniente do trabalho. Ana Merzel, coordenadora do Serviço de Psicologia do Hospital Albert Einstein, define o Burnout como um quadro caracterizado por três sinais clássicos:  Esgotamento físico e psíquico (a sensação de não dar conta das tarefas); Indiferença e perda de personalidade (não se importar mais com o próprio desempenho profissional, cinismo e apatia); Baixa satisfação profissional. “Os primeiros sintomas podem ser físicos, como dor de cabeça, dor de coluna e distúrbios musculares” . No Brasil, a Associação Internacional de Gestão de Estresse estima que 32% dos profissionais sofrem com o esgotamento no ambiente de trabalho.  Segundo o Autor e Professor de Teologia Éder Calado, da FTSA, a Síndrome de Burnout é um problema que pode afetar profissionais de qualquer área de atuação profissional.  Isso, porque qualquer profissão pode ser extremamente estressante. As profissões mais afetadas, entretanto, são aquelas que lidam diretamente com pessoas no dia a dia.  Por exemplo, empregos relacionados à saúde, à segurança ou ao trabalho de call center.  Os principais sintomas da síndrome são: ansiedade, aumento de irritabilidade, perda de motivação, redução de metas no trabalho e baixo ou nenhum comprometimento com os resultados. Além dos malefícios físicos, a síndrome pode levar à perda de amigos, isolamento social e até mesmo à demissão do emprego.  O Burnout e o pastoreio Da mesma maneira que qualquer profissão está exposta à possibilidade de estresse extremo, os pastores e líderes eclesiásticos também o estão.  Afinal, a profissão de pastores é extremamente exigente e demanda muito do indivíduo. Uma das principais causas da síndrome estar tão presente em meio aos pastores é a negligência que muitos têm tido, ao nem mesmo observar sua própria saúde.  Segundo Calado, o Burnout pode inclusive anteceder à Depressão e na Igreja as possíveis causas dos dois casos podem ser as mesmas: o descaso das instituições com seus líderes e o descaso do próprio líder consigo mesmo.  As igrejas muitas vezes sugam seus pastores sem prestarem atenção a suas necessidades.   E o próprio líder muitas vezes negligencia sua própria saúde, não cuidando do corpo, da sua alimentação, de seu lazer, de sua família etc. — tudo isso para cumprir agendas ministeriais exageradas e “ter sucesso”. Outro fator que pode estar ligado à síndrome é a ideia de fracasso dentro das igrejas.  Assim, quando pastores não conseguem bater metas e objetivos, várias vezes perdem a autoconfiança, motivação e autoestima.  Por isso percebe-se que muitos pastores nos dias de hoje são infelizes e enxergam o ministério eclesiástico como um peso em suas vidas . Dados do Instituto Schaeffer confirmam esse pensamento com uma pesquisa feita nos Estados Unidos que afirma que:       1) 70% dos pastores lutam constantemente com a depressão;       2) 71% estão “esgotados”;       3) 72% dos pastores dizem que só estudam a Bíblia quando precisam preparar sermões;      4) 80% acredita que o ministério pastoral afeta negativamente as suas famílias;      5) 70% dizem não ter um “amigo próximo”. Percebe-se também que a perfeição é muito cobrada entre líderes cristãos.  Infelizmente a membresia de igrejas ainda enxerga o pastor como alguém que não pode errar e tem que fazer tudo de maneira impecável. E os próprios líderes acabam colocando esse peso neles próprios. A agenda de pastores nos dia de hoje só tem aumentado com visitas, pregações, estudos, reuniões administrativas, financeiras entre outras.  Comumente ele não podem nem mesmo negar-se a participar de novos eventos, por serem vistos como alguém que tem de servir à comunidade local a todo custo. Como prevenir o Burnout? É necessário estabelecer uma vida saudável, que abra espaços para o lazer e tempo com a família.  Quando a utopia é deixada de lado, percebe-se que não é necessário atingir todas a metas, aceitar todos os convites para qualquer evento e nem suprir as expectativas de todos ao seu redor. O Ministério da Saúde propõe 8 medidas para prevenir a Síndrome do Burnout ou até mesmo curá-la: Defina pequenos objetivos na vida profissional e pessoal. Participe de atividades de lazer com amigos e familiares. Faça atividades que “fujam” à rotina diária, como passear, comer em restaurante ou ir ao cinema. Evite o contato com pessoas “negativas”, especialmente aquelas que reclamam do trabalho ou dos outros. Converse com alguém de confiança sobre o que se está sentindo. Faça atividades físicas regulares. Pode ser academia, caminhada, corrida, bicicleta, remo, natação etc. Evite consumo de bebidas alcoólicas, tabaco ou outras drogas, porque só vai piorar a confusão mental. Não se automedique nem tome remédios sem prescrição médica. Para pastores e líderes da Igreja é importante seguir o conselho do Rowland Croucher, autor e pastor australiano  Croucher indica juntar-se a um pequeno grupo de apoio, pois colegas de ministério irão entender melhor as necessidades, aumentando a confiança e providenciando ampliação de suas visões de administração eclesiástica e aconselhamento pessoal. Burnout e a Bíblia A palavra de Deus também nos mostra como podemos prevenir o Burnout. Jesus Cristo nos ensina que o melhor

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Cristão Solteiro: entenda por que a solteirice é uma bênção

Talvez o título seja um pouco espantoso, afinal, a “missão” do crente solteiro é casar, não é mesmo?  Ficar sozinho é muitas vezes encarado como um fardo, uma derrota, então, como assim ser solteiro é uma “bênção”? Neste post, baseado na pregação a “Benção de ser Solteiro”, do Pastor João Eduardo, vamos entender por que nós, como cristãos, não devemos lamentar a solteirice. O tempo de ser solteiro A primeira coisa importante a se esclarecer é que existe tempo para tudo.  Esta frase é tão usada que acaba perdendo um pouco do seu significado, afinal, a resposta para todas as coisas, sempre volta na questão do tempo!  A risco de cair na zona do “clichê”, devemos sim, ser pacientes e esperar o tempo certo, mas não porque é o que todos dizem, e sim, porque é o que está na Bíblia. “Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria.” (Sl 90:12). O que é contar os dias? Contar os dias é ter o entendimento de que todos os momentos em nossa vida vão passar e de que as condições e situações vão mudar.  Por causa disso, vivermos cada uma delas com a consciência de que é preciso aproveitá-las ao máximo de acordo com o que Deus tem para nós, e isto é alcançar a sabedoria. Casamento não preenche um vazio A segunda coisa importante a se esclarecer é que um relacionamento não vai te encher.  Não vai te fazer ter mais intimidade com Deus. Não vai facilitar sua vida em santidade. Não vai te fazer feliz. O casamento não vai te ajudar a se sentir completo! A única maneira de alcançar verdadeira completude de ser, alma e mente, é Cristo! Para sermos saciados e verdadeiramente cheios, temos que ter comunhão e relacionamento com Cristo, e não com nossa “cara metade”.  Afinal, de que adianta ser casado, porém não ter uma verdadeira união com Ele? De que adianta querer amar tão profundamente alguém sem saber o que é o Amor verdadeiro? Não me leve a mal, ter comunhão e relacionamento com um parceiro também é importante.  Mas no tempo de ser solteiro, a única “preocupação” que devemos ter é Deus (1Co 7:32). Pois, é por meio da união com Ele que existe a verdadeira liberdade, capaz de gerar frutos. Lembrando que não estou dizendo que você não deve procurar alguém para se relacionar, ou que casar é algo ruim.  Como existe tempo certo para tudo na vida, no seu tempo de ser solteiro, preocupe-se em estabelecer primeiramente uma base relacional com Deus, e se aprofunde nela. Um bom relacionamento/casamento é baseado em duas pessoas que são completas, plenas e resolvidas em Cristo Jesus! *Confira aqui tudo sobre o mito da “pessoa certa”! O que é ser completo Nesse sentido, como é uma pessoa “completa, plena e resolvida em Cristo”? “Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio… Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito. Não sejamos presunçosos, provocando uns aos outros e tendo inveja uns dos outros.” (Gl 5:22-26). Estas qualidades do ser “completo em Cristo” vão vir por meio do seu relacionamento com Jesus! Andar em comunhão com a igreja, meditar diariamente na palavra, procurar crescer mais em sabedoria, ser melhor amigo de Deus.  Essas são todas ações que você precisa almejar. Tarefas que apenas são possíveis de realizar individualmente.  Somente assim é possível parar de ser um crente carnal, afinal aqueles que vivem no Espírito, de modo algum satisfarão os desejos da carne! E isso tudo começa com o seu culto racional, ou seja, a sua vontade individual de querer dispor do seu tempo e priorizar a leitura da Palavra todos os dias.  Isso é um relacionamento, um compromisso com o Altíssimo.  É entregar nossos problemas para o Senhor, confiar nEle e pedir para Ele nos capacitar em meio às tribulações. A partir do momento que você passar a buscar, é apenas uma questão de tempo até você querer mais, ler mais, orar mais, se saciar mais.  E somente assim você vai ouvir a voz do Senhor e vai começar a ver a mão dEle em sua vida, desenvolvendo então, uma sensibilidade espiritual! Agora que os dois aspectos mais importantes da vida de solteiro já foram esclarecidos, isto é, saber o tempo certo e o buscar a Deus quando solteiro, é possível entrar na questão da “bênção de ser solteiro”. A bênção se encontra no privilégio de poder se concentrar somente no Senhor! A benção de ser um cristão solteiro “O homem que não é casado preocupa-se com as coisas do Senhor, em como agradar ao Senhor. Mas o homem casado preocupa-se com as coisas deste mundo, em como agradar sua mulher, e está dividido.” (1 Co 7:32-34).” Paulo nos esclarece perfeitamente qual a vantagem de ser solteiro: ele tem a liberdade de servir ao Senhor intensamente! Não ter que se preocupar com nada além de viver uma vida que agrade ao Senhor, com disponibilidade para servir, para fazer a obra de Deus, para conhecer novas pessoas, é uma dádiva.  Afinal, como Paulo diz, em 1 Coríntios, o homem casado está dividido, pois não é possível viver uma vida com outra pessoa sendo uma só carne, para então ignorá-la e fazer o que quiser, na hora que quiser (mesmo que seja fazendo a obra de Deus).  Os dois tem que ser companheiros, tomando decisões conjuntas que as vezes vai diferir de seus próprios objetivos individuais, diminuindo sua liberdade. Em vez de ficar solteiro, se preocupando somente em casar, é importante viver o melhor de Deus que foi feito para você solteiro. “Okay, já vivo uma vida plena com o Altíssimo, já sei o que Deus tem para mim, já aproveitei ao máximo as bênçãos de ser solteiro.  Por que que mesmo assim ainda existe aquele medinho de nunca conseguir encontrar alguém?” Ah, mas a parte mais difícil é o esperar!  Como esperar em Deus Esperar em Deus é uma tarefa difícil porque não

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Existe uma pessoa certa? Como esse mito gera relacionamentos frágeis

Creio que compartilha da fé cristã já se perguntou sobre a possível existência daquela pessoa certa para se começar um relacionamento, se aquela história de príncipe e princesa da Disney são reais. Vários são os questionamentos quando o assunto é namoro e casamento:  Será que tudo isso que nos é exposto em romances cinematográficos, pregado pela mídia, é o que devemos esperar que se torne realidade?  Existe uma pessoa certa? A pessoa escolhida de Deus para mim! Como saber se encontrei a pessoa certa?  Por aí vai….  Bom, ao longo desse post, baseado na pregação do pastor João Eduardo e na série de pregações “Love, date and heartbreak” de Andy Stanley, você vai entender por que tudo isso não passa de um mito.  Sim, Deus tem algo maravilhoso para você na área de relacionamentos, porém o tratamento dEle vai ser muito mais em te fazer ser a pessoa certa, do que te deixar esperando por ela.  Deus tem mais do que a “pessoa certa” Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês.Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.(Rm 12:1-2). O Senhor nos chama a não nos amoldarmos aos padrões de nossa cultura contemporânea. E precisamos aprender a ouvir Deus. Não devemos procurar “a pessoa certa”, “a alma gêmea”, “a tampa da panela”, aquela pessoa que faz todos os problemas irem embora e vivemos felizes para sempre. Como corpo de Cristo não podemos nos guiar pelos padrões de relacionamento, de vestimentas e, até mesmo, de sonhos aos quais somos expostos.  Nosso dever como igreja é nos transformarmos segundo os padrões de Jesus e ansiar pelo reino dEle em nossas vidas. Mas por que gastar nosso tempo pensando no que temos que fazer para ter um relacionamento saudável?  Por que não viver intensamente o hoje da maneira que quero?  “Quando eu quiser é só achar alguém crente para me relacionar e tudo certo.” Mas essa é uma grande mentira! Existe uma frase que diz “o seu presente, vai se tornar o seu passado, mas estará presente no seu futuro.”  Parece um pouco confuso ao primeiro momento, mas calma, leia de novo.  Sim! Essa é a sequência das nossas ações.  Por mais que achemos que não devemos nos importar com nossas atitudes no dia de hoje, tudo voltará à tona no futuro.  Tudo trará reflexos no seu relacionamento.  Suas escolhas hoje, sua maneira de se relacionar com o sexo oposto, com seus pais e, até mesmo, com o restante das pessoas ao seu redor irá interferir no seu casamento no futuro.  Nosso passado sempre aparecerá em nosso futuro. Casamento: o Mito da Solução Diante dos “perigos” de entrar em um relacionamento com um passado tão mal resolvido, temos uma brilhante ideia! É só casar! Temos o ideal de que o casamento resolverá todos os problemas de nossas vidas.  Mas a realidade é diferente. O casamento é o apenas o início de uma longa caminhada. Nossas expectativas são de achar alguém que vê o mundo como vemos, que sente as brisas do vento como você, alguém que suspira olhando para o horizonte como você…  Essa vai ser a pessoa certa e tudo será perfeito.  O problema, é que a realidade é bem diferente. Relacionamentos são duas pessoas com cargas de toda uma vida, experiências e histórias que se juntam.  Se o passado das duas pessoas não estiver bem resolvido, vocês estarão entrando em uma grande fria. “Mas isso não vai acontecer. Eu estou vivendo meio longe do que Deus espera de mim mesmo, mas um dia vou encontrar a pessoa certa, ai me acerto.”  A famosa pessoa certa… como seria bom se ela fosse real! Podemos falar que não acreditamos nisso, mas vivemos como se fosse realidade.  E a verdade é a seguinte: você não vai encontrar a pessoa certa e tudo vai dar certo.  Mas calma lá, ainda existe um caminho a ser seguido. Como saber se um relacionamento está no caminho certo? Bom, se não existe uma pessoa certa, quais os parâmetros para que eu me relacione? Existem duas linhas de pensamento aqui: uma delas é baseada nos preceitos do mundo, os quais, se espera, que não sejam seguidos; o outro é segundo o que Deus espera de nós como sua igreja. 1. Padrões mundanos (Esses não costumam ter um final feliz) Aqui o que guia o casal é algo chamado química.  “Nos damos tão bem!” “temos visões de mundo tão parecidas” “Ai, ninguém nunca se amou como nos amamos.”….  Esse tipo de química. E no meio dessa grande experiência química, a chance de inflamar e o frio na barriga do resultado final, são tão grandes, que o casal esquece de se relacionar.  Na verdade, essa famosa química, você pode ter com milhares de pessoas diferentes, pessoas de culturas diferentes, pessoas que nem falam sua própria língua.  Mas um relacionamento é diferente. Não é com muitas pessoas que você consegue se relacionar.   Relacionamentos exigem mais do que compatibilidade em questões físicas.  Para que um namoro e casamento deem certo os envolvidos precisam estar dispostos a se abrir, serem vulneráveis. Você precisa estar disposto a contar seus medos e de abrir mão de alguns sonhos em favor do outro. Precisa se deparar com suas falhas e querer ceder em discussões.  Saber se relacionar é abrir mão, muitas vezes, das suas vontades para que o casal fique bem, é ter a liberdade de sentar no sofá e conversar por horas de absolutamente tudo que estiver em seu coração, sem medo de julgamento. Nada disso a química conquista, pelo contrário, apenas abafa.  Se você deseja ter um casamento sólido algum dia, saiba que existe um caminho a ser percorrido.  A química por si só não se sustenta, você precisa construir um relacionamento de verdade, onde existe sinceridade, vulnerabilidade e comunicação.  2. Padrão de Cristo.

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Maio Laranja: Abuso Infantil e o Papel da Igreja

A infância e adolescência são períodos extremamente importantes no desenvolvimento cognitivo e social do ser humano.  É uma fase de descobertas e construção, onde as maiores questões sobre si mesmo são evidenciadas. A psicóloga Luísa Habigzang, mencionando o estatuto da Criança e adolescente, explica que essas são as etapas em que o indivíduo desenvolve suas capacidades cognitivas, afetivas e físicas e são períodos importantes para a aprendizagem de habilidades sociais. Por isso, crianças e adolescentes são considerados sujeitos em condição peculiar de desenvolvimento de suas potencialidades e é responsabilidade de toda a sociedade e poder público garantir os direitos fundamentais delas. No entanto, essa fase pode ser ameaçada por um inimigo devastador e terrível: o abuso sexual infantil.  E como igreja, cidadãos, seguidores de Jesus Cristo, o que estamos fazendo por essas crianças? Abuso Infantil e a Igreja Abuso infantil e igreja têm tido uma correlação problemática nas últimas décadas, com inúmeros casos no qual ela assumiu o papel de vilã.  Enquanto o seu papel deveria ser de justiça e retidão, refúgio e abrigo, a igreja acabou se tornando uma das prisões de crianças inocentes. A realidade é triste e essa mancha certamente não será apagada, mas o que eu e você, como embaixadores de Cristo na terra podemos fazer, hoje, para dar voz aos pequeninos silenciados?  Como evitar que esse tipo de atrocidade aconteça, seja nas igrejas, em casa, ou em qualquer outro lugar?  Quais são os sinais? O que a bíblia fala sobre isso? O mês de maio foi escolhido como o mês da conscientização do abuso sexual de crianças e adolescentes, e para representá-lo, o laranja.  Diversos meios de comunicação abraçaram essa causa tão delicada e durante o mês inteiro estão sendo compartilhadas informações.   O dia 18 de maio é o dia nacional do combate ao abuso infantil e nós precisamos falar sobre isso. O assunto é horrível, eu concordo. Porém, se fecharmos nossos olhos o problema não deixa de existir, omitir-se nesses casos é ser cúmplice e conivente com esse pecado e crime.  Dados sobre o abuso infantil no Brasil  Segundo dados divulgados pelo Governo Federal, a cada hora 3 crianças são abusadas no Brasil. 80% dos abusos, acontecem dentro de casa, sendo muitas vezes praticado por parentes ou amigos da família. 1 em cada 3 a 4 meninas será vítima de abuso ou exploração sexual antes dos 18 anos, mas os meninos também não ficam fora disso, 1 em cada 6 a 10 também . Maria Amélia Azevedo e Viviane Guerra, autoras do livro “Infância e Violência doméstica: fronteiras do conhecimento”, constataram em pesquisa que no município de São Paulo, são raros os casos denunciados aos órgãos públicos, 6,5% das vítimas são meninos e nos casos de incestos, 70% das vezes o autor do abuso foi o próprio pai.  Além disso, o abuso não ocorre apenas nas classes menos favorecidas, como se imagina, mas são frequentes inclusive nas classes economicamente privilegiadas. Aumento de abusos entre crianças devido a pornografia O potencial de dano da exposição a pornografia não é novidade para ninguém, mas se tratando de abuso infantil as notícias são ainda mais assustadoras.  A exposição a pornografia em crianças e adolescentes das mais diversas idades têm sido responsável pelo aumento de comportamento sexual prejudicial infantil, o abuso entre crianças. Um grupo de defesa à criança nos EUA reportou um aumento nas denúncias de abusos infantis realizados por outras crianças. Quando perguntadas sobre o assunto, a resposta mais comum era a de que eles haviam aprendido aquilo na internet!  Isso, somado a diversos casos em que materiais pornográficos foram encontrados nos celulares dos agressores. O problema teve uma quantidade tão assustadora de casos reportados (não apenas no Alabama, onde esse grupo está, mas em vários outros estados), que o tema foi abordado em um simpósio em Washington D.C. Consequências do abuso infantil na vida adulta Para a maioria dos pesquisadores, o abuso sexual infantil é facilitador para o aparecimento de psicopatologias graves, prejudicando a evolução psicológica, afetiva e social da vítima.  Os efeitos do abuso na infância podem se manifestar de várias maneiras, em qualquer idade da vida. Alguns estudos relacionam os abusos sexuais na infância com diversos problemas psicológicos e psiquiátricos durante a adolescência e vida adulta, como: comportamentos sexuais autodestrutivos e compulsivos, além da pedofilia e outras doenças descritas na Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento. Outra consequência observada é em relação a resiliência e auto perdão em mulheres que foram vítimas de abuso sexual na infância. Elas sofrem com baixíssimos níveis de esperança, capacidade para o autoperdão e níveis mais elevados de sintomas de estresse pós-traumático, quando comparados a outras mulheres que apresentaram circunstâncias semelhantes mas nunca sofreram abuso sexual infantil.  Margaret Carvalho e Lira, mestre em psicologia, afirma que as alterações podem variar em tempo e intensidade e afetam o referencial de vida de vítimas resultando em grandes sofrimentos emocionais.  O abuso sexual traz deturpações na autoimagem do indivíduo, as crianças não têm como entender que não são culpadas pelo que está acontecendo.  Em seu livro “Abuso sexual da criança: uma abordagem multidisciplinar”, Tilman Furniss, psiquiatra e autor alemão, afirma que as crianças vítimas de abuso infantil prolongado frequentemente expressam sentimentos de culpa independentemente do grau de cooperação.  E esse sentimento vem de uma falsa sensação de responsabilidade que vem do fato de ter sido uma participante do abuso. O nosso papel como Igreja Como Igreja e Corpo de Cristo, nós temos a obrigação de sermos a voz dessas crianças e cuidar delas, nossa obrigação é receber aqueles que sofreram esses abusos e carregam as consequências dentro de si até hoje. Cada um de nós como embaixadores de Cristo na terra, que professamos uma fé sincera, temos a responsabilidade de cuidar das crianças, dos órfãos e das viúvas.  É o nosso papel protegê-las, pois nas palavras do próprio Jesus, o Reino dos céus pertence aos seus pequeninos (Mc 10:14). As crianças não são apenas os “adultos do futuro”, elas são seres humanos inteiros, completos, criados com um propósito eterno

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Solitude na Bíblia: O que é, a diferença para a solidão e a importância dessa disciplina espiritual

Em tempos de pandemia, é certo que o isolamento forçado denuncia uma prática há muito esquecida pelo homem moderno: a capacidade de ficar sozinho com os próprios pensamentos.  Verdade seja dita, a percepção de quem realmente somos nos apavora.  Assim, encontramos na produtividade uma forma de escapar da nossa consciência e, quanto mais preenchidos os nossos dias, menor será nosso confronto interno.  No meio de tanta inquietação e angústia, só nos resta questionar: por que alguém intencionalmente buscaria sentir-se assim? Neste post vamos ver como esse tempo a sós pode ser edificante para nossa fé e por que a Solitude na Bíblia é tão importante. O que é Solitude? Primeiramente, cabe estabelecer que, embora apresentada em alguns dicionários como sinônimo de solidão, a Solitude diz respeito a um conceito distinto.  Vamos comparar os dois conceitos para uma melhor compreensão:  SOLIDÃO Se sentir só. Sentimento de vazio interior, de que algo lhe falta… SOLITUDE Saber estar só, com um propósito. Isolamento voluntário. Estado de espírito de realização interior, de que o que se tem, basta. Portanto, podemos ver como a Solitude não é um estado negativo, mas importante para nós.  É quando estamos a sós que conseguimos colocar nossos pensamentos em ordem, meditar a respeito das nossas atitudes, emoções e da nossa espiritualidade. Como podemos enxergar o salmista em sua Solitude, meditando nos seus próprios sentimentos: “por que estás abatida ó minha alma?” (Sl 42.5). A Solitude, portanto, deve ser praticada. Como consequência imediata da desorientação, a Solitude tornou-se uma das disciplinas espirituais mais esquecidas e negligenciadas dentro das Igrejas. Vamos entender o que a Bíblia tem a nos dizer. Solitude na Bíblia Uma das maiores evidências da importância da Solitude para a nossa vida mental e espiritual, é vermos como diversos personagens bíblicos adotavam a prática. Vamos começar pela melhor referência: O exemplo de Jesus Jesus começou o seu ministério em Solitude: 40 dias no deserto (Mt 4.1-11). Antes de escolher seus discípulos, passou uma noite inteira em oração (Lc 6.12). No Getsêmani, antes do seu momento crucial, Ele mergulhou em profunda e voluntária Solitude, só Ele e o Pai (Mt 26.36s). Esses são alguns exemplos dentre vários em que Jesus se retira para ficar a sós.  Mas, Solitude não é atitude de oração, nem de louvor. É quando a música se cala e a oração acaba, restando somente o silêncio, o descanso da alma em Deus.  Jesus nos chama da solidão para solitude: “Vinde a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados e eu os aliviarei, aprendei de mim que sou manso e humilde de coração, e vocês acharão descanso para a suas almas.” (Mt 11.29). Jesus nos convida a desligar as outras vozes e sons e a nos retirarmos. Em meio a tantas vozes e agitação, jamais encontraremos o descanso que Ele pode nos dar em secreto (Mt 6.6). O exemplo de Jacó Em sua jornada de volta à terra da promessa, Jacó fez passar todos e tudo que lhe pertencia para o outro lado do ribeiro de Jaboque, ficando ele só.  Naquele momento de Solitude, teve a maior experiência de sua vida: um encontro com Deus e consigo mesmo.  A pergunta que lhe ressoou aos ouvidos foi: “como te chamas?”. Ou, em outras palavras: “como você pode ser chamado, ou conhecido?”.  E ele teve que responder: “Jacó”, que significa enganador, usurpador, mau caráter. Esse olhar para dentro de si mesmo trouxe uma transformação maravilhosa sobre a vida de Jacó.  O seu nome foi mudado de Jacó para Israel, que significa Príncipe de Deus que luta, representando a mudança interior que estava acontecendo no “velho Jacó” (Gn 32.22s). A importância da Solitude  E como isso se aplica a nós? Também precisamos travar essa luta com nós mesmos.  Nossos medos, carências, necessidade de reconhecimento e aceitação, assim como toda a nossa natureza pecaminosa precisa ser confrontada.  A nossa fuga do silêncio e da quietude aponta para o nosso medo de ficar sozinhos, e nos impulsiona para a multidão, para o barulho e distração constante. A Solitude nos livra da dependência excessiva da vida emocional, do sentimentalismo superficial, das relações vazias e da busca incessante de fontes de prazer instantâneo. Encontrando a alegria em estar sozinho  A fonte da nossa verdadeira alegria é Cristo (Sl 16.11), e Ele precisa de espaço no nosso interior para arrumar a Sua morada. Ele precisa de silêncio para falar ao nosso coração, precisa nos confrontar com aquilo que somos para fazer de nós algo melhor! Solitude é a mortificação dos apetites sensoriais para aprender a descansar e ter intimidade com Deus.  É quando abrimos mão da animação constante, de estar por dentro do fluxo interminável de informações das redes sociais, do entretenimento, da satisfação imediata, para interiorizar o nosso foco.  É quando eliminamos os ruídos ao nosso redor para ouvir o som do nosso coração, e ajustar as suas batidas no ritmo do coração de Deus. Como colocar a Solitude em prática? A Palavra só torna-se prática em nossas vidas quando é dotada de aplicabilidade pessoal.  Para tanto, existem atitudes internas e externas que podem nos proporcionar a paz e quietude da alma. Atitudes internas: Dê menos importância a opinião dos outros. Gaste mais tempo com você e com a voz de Deus. É aí que a sua verdadeira identidade é forjada. Não tente se justificar. Jesus foi levado como “ovelha muda” perante os seus tosquiadores. Trabalhe o silêncio e a paz na sua própria consciência, e não diante dos olhos dos outros. Mesmo em meio às tarefas do cotidiano, mantenha no coração um silêncio interior. Atitudes Externas: Eleja um lugar tranquilo na sua casa para silêncio e solitude. Retire-se ocasionalmente, a sós, para reorientar em Deus os seus pensamentos, sentimentos e direção de vida. Durante o dia, faça pequenas pausas para a Solitude: no trânsito, na xícara de café da manhã, no almoço… Dedique uns minutos a contemplação: no por do sol, das estrelas a noite… E por fim, discipline-se para falar pouco e dizer muito. Não jogue palavras ao vento:

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