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Reforma Protestante: resumo, contexto, consequências, a contrarreforma e os impactos na Igreja atual

No dia 31 de outubro de 2020, comemoramos 503 anos da Reforma Protestante, um dos eventos mais importantes de toda a história da fé cristã.  Frases e imagens de Lutero circulam nas redes sociais, seus amigos calvinistas exaltam os feitos dos reformadores e provavelmente seu pastor, reverendo ou padre comentou sobre isso em alguma celebração. O que nem todos eles sabem, é que a Reforma Protestante mudou o rumo da história e da cultura ocidental e continua tão ou mais atual, quanto sua eclosão em 1517.  Gilbertus Voet já dizia, “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda est” — Igreja Reformada, sempre se reformando. A ideia aqui  não é discutir ponto a ponto os detalhes da Reforma. Contudo, quero te entregar um panorama prático sobre o contexto político, econômico, histórico, social e teológico dessa nova visão sobre Deus e sua relação com o homem. Vamos lá!? O que foi a Reforma Protestante? A Reforma Protestante foi um movimento que surgiu como reação às práticas adotadas pela Igreja Católica até meados do século XVI, que até então era o maior expoente do cristianismo no mundo. Já havia uma discussão firmada entre alguns líderes da igreja católica, acerca de práticas e costumes instaurados pelo clero daquela época, mas que não necessariamente eram unanimidade teológica. Martinho Lutero, um monge católico alemão, estava insatisfeito com algumas dessas práticas e doutrinas, principalmente do ponto de vista teológico.  Partiu dele, o que muitos consideram, o maior marco da Reforma Protestante: a fixação das 95 teses, em 31 de outubro de 1517, no muro da igreja do castelo de Winnttenberg. Antes de entrarmos nos méritos de Lutero e as 95 teses, porém, é necessário entender o contexto pelo qual esse movimento aconteceu. Pré-reforma A Pré-Reforma é o nome atribuído ao período de antecede a eclosão e disseminação da Reforma Protestante na Europa. Estudiosos dizem que esse processo se iniciou ao final do século XIII, se estendendo até meados do século XVI. Durante esse período surgiram discussões sobre o conjunto de valores, costumes e práticas adotadas pelos líderes da igreja católica que não exerciam o zelo com o texto bíblico, sendo denominados, em muitos casos, hereges. Nessa perspectiva, visando alinhar os valores da igreja cristã que havia se espalhado mundo afora, centrando-se somente na visão bíblica, alguns homens começaram a questionar o catolicismo romano e sua doutrina. John Wycliffe e Jan Hus (falaremos mais deles a frente) foram grandes inspirações de Lutero e antes do período histórico que compreende a Reforma Protestante, já denunciavam costumes e valores da igreja católica, descentradas das escrituras sagradas. Ambos foram perseguidos e mortos antes que o movimento ganhasse a força que conquistou anos depois com Lutero. Porque a Reforma Protestante aconteceu? A Reforma eclodiu na Europa que era o centro econômico, político e espiritual do mundo naquela época. Estamos falando aqui de algumas décadas após o fim da Idade Média (1453). Vale lembrar que a Idade Média termina com a tomada de Constantinopla (considerada o “centro do mundo”) do Império Bizantino pelos turcos, ressignificando toda a estrutura de poder na Europa. Esse fato culminou num processo de centralização de poder nos Reis (ou famílias reais), o que fez a relação com a Igreja criar ruídos e dissonâncias.  A Igreja Católica cresceu adquirindo poder e até aquela época era o centro da força espiritual e psicológica, consequentemente, o que atribuía forte influência administrativa e política em todas as esferas da sociedade. Como possuía muitas extensões de terras, a Igreja Católica recebia muitos tributos da população e seus governantes. Esses recursos eram enviados à Roma e controlados pelo Papa (autoridade máxima do catolicismo). Tal prática, desagradava à monarcas, que queriam receber os impostos por aquelas terras, e camponeses, que pagavam tributos cada vez mais caros aos bispos, padres e monges locais. Por isso, muitos reformadores foram apoiados por monarcas de determinados países. Após o fim da Idade Média, tais práticas passaram a ser fortemente questionadas e combatidas por todas as partes. As autoridades eclesiásticas usavam de sua influência e poder para obter vantagens. O alto clero comandava práticas como a venda de cargos dentro da igreja e venda de indulgências, ou seja, troca do “perdão de Deus” por quantias em dinheiro. Do ponto de vista teológico, parte da liderança da Igreja Católica havia se distanciado da essência da mensagem de Cristo.  Os usos e costumes que agradavam a liderança eclesiástica se tornaram mais importantes no regimento das celebrações religiosas, que a própria Bíblia e seu conteúdo. É aqui que entra a figura de Martinho Lutero na história. Lutero e as 95 teses Martinho Lutero foi um monge agostiniano alemão, que não concordava com algumas práticas da Igreja Católica e tomou a decisão de criticar o sistema religioso adotado. Lutero documentou 95 pontos de discussão, baseados naquilo que não acreditava ser bíblico, na estrutura religiosa cristã da época. Em  31 de outubro de 1517, no muro da igreja do castelo de Winnttenberg, Lutero fixou suas 95 teses com um convite formal e explícito à uma discussão com os principais teólogos daquela época, acerca de cada um dos seus pontos. Vale lembrar que Lutero nunca idealizou a divisão da Igreja, mas uma reforma em suas práticas. As 95 teses contestavam a veracidade teológica das indulgências, dos usos e costumes da Igreja Católica e do poder atribuído ao Papa como mediador entre Deus e os homens.  Isso fica claro na últimas 8 teses, como se segue: 88 Do mesmo modo: que benefício maior se poderia proporcionar à Igreja do que se o papa, assim como agora o faz uma vez, da mesma forma concedesse essas remissões e participações 100 vezes ao dia a qualquer dos fiéis? 89 Já que, com as indulgências, o papa procura mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que suspende as cartas e indulgências outrora já concedidas, se são igualmente eficazes? 90 Reprimir esses argumentos muito perspicazes dos leigos somente pela força, sem refutá-los apresentando razões, significa expor a Igreja e o papa à zombaria dos inimigos e desgraçar os cristãos.

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O que são Disciplinas Espirituais e como praticar os Meios da Graça

Todo cristão quer ter uma vida espiritual saudável e um relacionamento íntimo com Deus.  Porém, comumente, nos conformamos com a nossa conversão e tratamos o “crer em Jesus” como um fim em si mesmo.  Confessamos Jesus Cristo como nosso Senhor e salvador, passamos a frequentar a igreja aos domingos e a ter uma vida um pouco melhor moralmente. Mas esse não deve ser o resultado da nossa conversão e caminhada com o Senhor. Uma das virtudes mais importantes para a maturidade cristã é entender a necessidade da nossa santificação e do nosso crescimento espiritual.  Não importa o quão maduro somos e o tempo de convertido que temos, nunca somos tão santos como deveríamos ser, sempre podemos (e precisamos) aprender e melhorar em nossa caminhada. É aqui que entram as chamadas Disciplinas Espirituais, também chamadas de Meios da Graça. Que são formas de desenvolvermos a nossa espiritualidade cristã. Vamos entender melhor a sua importância e quais são as disciplinas espirituais que todo cristão precisa colocar em prática. O que são disciplinas espirituais? As disciplinas espirituais são maneiras comuns e diárias que Deus nos deixou para experimentarmos os benefícios do sacrifício de Cristo, ou seja, é a forma de desfrutarmos um relacionamento pleno com o Senhor e desenvolver a nossa vida espiritual. Sem os meios da graça, jamais nos tornaremos Cristão maduros. É preciso buscarmos relacionamento com Deus para sermos moldados por Ele.  O Apóstolo Tiago nos alerta que “a fé sem obras está morta” (Tg 2.17 ) e Jesus nos ensina que a árvore é reconhecida pelo seu fruto (Mt 7.20). Uma fé verdadeira, a salvação plena, precisa levar o Cristão a desenvolver a sua santidade e ansiar viver uma vida que imite a Jesus Cristo (1Co 11.1).  Por isso as disciplinas espirituais são tão importantes. É necessário destacar também que as disciplinas em si não podem gerar vida espiritual, embora sejam auxílios importantes, e nem devem ser uma forma do Cristão se justificar perante o Senhor.  O fato de praticá-las não nos torna mais dignos das bençãos do Senhor. Não devemos também praticar os meios da graça como se fossem uma obrigação, uma penitência. Como Filhos de Deus, precisamos ter prazer em sua presença e em desenvolvermos a nossa Santidade, buscando um relacionamento íntimo e uma vida pura e de adoração ao Pai. Vamos ver então quais são os meios da graça e como colocá-los em prática! As Disciplinas Espirituais (meios da graça) Vamos pontuar agora cada uma dessas disciplinas espirituais e entender a importância de cada uma delas em si. É importante notar que são poucas as disciplinas que de fato são indispensáveis para a vida do Cristão, embora todas elas sejam recomendáveis e deveriam ser praticadas por um Filho de Deus que busca desenvolver sua espiritualidade cristã. Leitura da Palavra “Ninguém despreze a tua mocidade; pelo contrário, torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza. “Até à minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino.” (1 Tm 4:12,13) “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (2Tm 2.15) “…mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor…” (Jr 9.24) É impossível amar uma pessoa que não conhecemos. Deus escolheu se revelar à humanidade por meio da Sua Palavra. Portanto, é absolutamente contraditório dizer que amamos a Deus se não amamos a sua Palavra. Precisamos ter fome e sede de conhecer quem Deus é e conhecer as suas escrituras. É impossível ter um relacionamento íntimo com alguém que não conhecemos, por isso precisamos gastar tempo com as Escrituras. Essa leitura não deve ser superficial e não é como se estivéssemos lendo um livro qualquer.  É preciso ter a convicção de que quando abrimos as páginas da Bíblia não estamos lendo um Livro, mas conhecendo uma Pessoa. É impossível ouvir a voz de Deus, se não lermos a sua Palavra. Oração “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.” (Mt 7.7) “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração.” (Jr 29.13) “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.” (Fp 4.6) Assim como a leitura das Sagradas Escrituras, a Oração é uma das disciplinas espirituais indispensáveis para qualquer cristão. A sua espiritualidade será tão desenvolvida quanto a sua vida de oração. A oração é o principal meio que o cristão cultiva o seu relacionamento com Deus.  É uma comunhão espiritual pela qual transmitimos nossas ações de graça, nossa adoração, nossas súplicas, nossas intercessões, nossas petições e nossas confissões de pecado a Deus. A oração é como uma conversa face a face com Deus, ela nos conecta a Ele, nos aproxima dEle, torna nosso relacionamento com o Pai mais íntimo e pessoal e, também, nos ajuda a lidar com nossas ansiedades, angústias e a viver uma vida de dependência dEle. A oração não muda a Deus, mas muda o cristão.  Quanto mais tempo gastamos na presença do Pai em oração, mais somos moldados pelo seu Espírito Santo e a cada dia nossas orações ficam mais alinhadas ao coração do Pai e o nosso coração mais alinhado com a Sua vontade. Meditação “Medita estas coisas e nelas sê diligente, para que o teu progresso a todos seja manifesto.” (1Tm 4:15) “As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu!” (Sl 19:14) A meditação está diretamente relacionada à leitura da Palavra.  A meditação diz respeito a alimentar e exercitar a nossa mente com as coisas do Senhor. Refletir naquilo que lemos e aprendemos a respeito de Cristo, sondar nossos corações e trazer tudo aquilo é verdadeiro, puro e amável à nossa mente. (Fp 4.8) A meditação é o que nos ajuda a guardar a Palavra de Deus em nosso coração, não apenas como uma leitura superficial, mas um

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Espirito Santo de Deus: o que é, sua função na Igreja e o que Bíblia diz sobre Ele

Uma das figuras mais controversas da Bíblia é o Espírito Santo. Ainda hoje diversas linhas teológicas divergem quanto à sua atuação nos dias atuais. Por muito tempo a Terceira Pessoa da Trindade foi negligenciada, sendo pouco citada e pregada. Enquanto era muito comum ouvir falar de Deus Pai e de Jesus Cristo, pouco ou quase nada se pregava sobre o Espírito Santo. Por outro lado, muito ministérios deram uma centralidade indevida ao Espírito Santo e lhe atribuíram sinais e ações que pouco, ou nada, tem a ver com Ele. Você sabe dizer qual é a real função do Espírito Santo? Entende por que ele é tão importante para a Igreja hoje? Neste conteúdo veremos com detalhes o ministério do Espírito Santo e como ele atua na Igreja. Você aprenderá: O que é o Espírito Santo Como Ele atua nos dias de hoje Como receber o Espírito Santo O que é o Batismo no Espírito Santo O que é e como ser cheio do Espírito Santo Então, vamos lá! O que é o Espírito Santo de Deus? O Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Trindade, o que quer dizer que Ele é Deus. Ele habita no cristão e é responsável por levá-lo a crer em Deus e ao arrependimento dos pecados. Muitas pessoas tratam o Espírito de Deus como se fosse uma energia, algo que o cristão controla e dá poderes a ele. Mas o Espírito é uma pessoa. E a Bíblia deixa claro que não somos nós quem mandamos, ordemos ou sopramos o Espírito Santo, mas é ele quem guia e controla a sua igreja. Isso fica evidente em Atos, quando Paulo viajava em missões e tem os planos modificados. A Palavra diz que o Apóstolo ia em uma direção quando foi “impedido pelo Espírito Santo” (At 16.6-7).  E depois é conduzido pelo Espírito até a Macedônia. O Espírito é o próprio Deus que habita nos cristãos e nos capacita vivermos a vida que Cristo tem para nós. O Espírito Santo na Bíblia A melhor forma de entendermos o que é o Espírito Santo é investigando com detalhes o que a Bíblia diz sobre ele. Vamos começar observando a melhor fonte que temos nas escrituras, o discurso de Jesus em João 14, 15 e 16. “Outro” Paracleto (Consolador) A primeira afirmação de Jesus a respeito do Espírito é que ele rogaria e o Pai enviaria outro Consolador (Parakletos, no orginal). Dou essa ênfase na palavra “outro” porque ela é de suma importância para entendermos. Quando Jesus diz que o Pai enviaria “outro” Paracleto, Jesus está colocando o Espírito Santo no mesmo patamar que ele próprio. É como se Jesus dissesse: “eu sou o primeiro Consolador, porém o Pai enviará outro!”. A única vez que a palavra Paracleto aparece na Bíblia, fora do discurso de Jesus para os Apóstolos no livro de João, é referindo-se ao próprio Cristo. Acontece na famosa passagem na 1ª Carta de João, onde o Apóstolo afirma que “se pecarmos, temos advogado junto ao Pai” (1Jo 2.1), a palavra traduzida por advogado é Paracleto. Isso implica em algumas conclusões importantes: 1º. Isso comprova a divindade do Espírito Santo. Se Jesus é Deus e está afirmando que o Espírito está no mesmo patamar, logo, Ele também é Deus. 2º Isso nos ensina que o Espírito tem conosco hoje o mesmo papel que Jesus tinha com os seus apóstolos Jesus era o líder, amigo, conselheiro, pastor, advogado, consolador etc. tudo isso é também função do Espírito Santo em nossas vidas. O que é Paracleto? Traduzido em algumas Bíblias como Consolador em alguns momentos e Advogado em outros, Paracleto, além desses dois sentidos, significa, literalmente, o que é chamado para o lado de alguém. Chamá-lo apenas de Consolador ou Advogado acaba nos levando a reduzir o riquíssimo significado que essa palavra possui. O Espírito é aquele que, de fato, caminha com o Cristão, capacitando e conduzindo a uma vida de entrega, obediência e devoção a Deus.  O livro de Atos (também chamado de Atos do Apóstolos), poderia ser também chamados de Atos do Espírito Santo.  Jesus havia instruído os seus apóstolos que esperassem até que fossem revestidos de poder para serem testemunhas dEle (At 1.8).  Apenas quando recebem o Paracleto para caminhar com eles, é que são capacitados para fazer a obra e testemunharem a respeito de Cristo. A função do Espírito Santo Vimos que o Espírito é aquele que nos capacita e conduz a nossa vida Cristã. Hoje em dia, muitos associam o Espírito Santo apenas a manifestações, sensações, milagres, línguas estranhas e curas. Porém se olharmos o discurso de Jesus sobre o Espírito (Jo 14-16) podemos perceber que nenhum desses elementos sequer é citado. Apesar de ser o Espírito Santo que faz milagres, sinais e distribui dons por meio dos seus discípulos, vemos que a ênfase do seu ministério não é essa.  Infelizmente, muitos ministérios atualmente focam naquilo que não é o principal. Vamos aprender a verdadeira ênfase que Jesus dá na obra do Espírito. O Espírito da Verdade (Jo 14.17) Além de chamá-lo de Paracleto, Jesus também usar o termo Espírito da “Verdade”. Isso significa que o Ele é o único verdadeiro e somente podemos chegar à verdade por meio dEle.  Isso fica evidente na vida do Apóstolo Paulo. Antes de receber o Espírito Santo, Paulo já possuía todo o conhecimento nas escrituras judaicas, porém, apenas por meio da atuação do Espírito de Deus é que ele chegou à verdade. Habita em vós (Jo 14.17) O Espírito Santo sempre atuou na Terra. No Antigo Testamento a sua atuação é destacada em diversos momentos: Capacitando José para interpretação do sonho de Faraó (Gn 41.34) Deu habilidade e inteligência para o serviço a Bezalel e a Aoliabe (Ex 36.1) Capacitando Gideão na liderança (Jz 6.34) Dando força extraordinária para Sansão (Jz 14.6) Falou por meio dos Profetas (Is 48.16) Podemos enumerar ainda vários outros episódios. Porém, o Espírito de Deus atuava de forma pontual na vida desses homens.  Após a ascensão de Jesus, o Espírito habita EM

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Síndrome de burnout em pastores e líderes cristãos: como lidar e o papel da igreja

Em um tempo no qual a razão do mundo é gerar lucro, vivemos em uma sociedade de extrema pressão e cobrança. Um dos grupos mais afetados por esse pensamento são os próprios líderes, principalmente quando não suprem as expectativas depositadas neles. Essa realidade não é diferente no meio eclesiástico.  Líderes cristãos estão sendo cada vez mais pressionados a fazer sua igreja local crescer e cuidar do próximo mais do que cuidar de si mesmo.  Assim a demanda exagerada dentro das igrejas leva à desatenção com a família e ao descuido de si mesmo, que causam cada vez mais sofrimento.  Como reflexo de tudo isso aparece o tema do post de hoje: a Síndrome do Burnout.  Além de ser uma pauta atual, é super importante falar sobre ela e como é possível preveni-la, especialmente quando ela se tornou tão comum dentro de círculos da fé cristã. Então, continue com a gente! O que é burnout? A palavra Burnout vem do inglês, dos termos burn, que significa “queimar” e out, que tem o significado de “exterior”. Quando juntos, temos o nome da síndrome que denota esgotamento total proveniente do trabalho. Ana Merzel, coordenadora do Serviço de Psicologia do Hospital Albert Einstein, define o Burnout como um quadro caracterizado por três sinais clássicos:  Esgotamento físico e psíquico (a sensação de não dar conta das tarefas); Indiferença e perda de personalidade (não se importar mais com o próprio desempenho profissional, cinismo e apatia); Baixa satisfação profissional. “Os primeiros sintomas podem ser físicos, como dor de cabeça, dor de coluna e distúrbios musculares” . No Brasil, a Associação Internacional de Gestão de Estresse estima que 32% dos profissionais sofrem com o esgotamento no ambiente de trabalho.  Segundo o Autor e Professor de Teologia Éder Calado, da FTSA, a Síndrome de Burnout é um problema que pode afetar profissionais de qualquer área de atuação profissional.  Isso, porque qualquer profissão pode ser extremamente estressante. As profissões mais afetadas, entretanto, são aquelas que lidam diretamente com pessoas no dia a dia.  Por exemplo, empregos relacionados à saúde, à segurança ou ao trabalho de call center.  Os principais sintomas da síndrome são: ansiedade, aumento de irritabilidade, perda de motivação, redução de metas no trabalho e baixo ou nenhum comprometimento com os resultados. Além dos malefícios físicos, a síndrome pode levar à perda de amigos, isolamento social e até mesmo à demissão do emprego.  O Burnout e o pastoreio Da mesma maneira que qualquer profissão está exposta à possibilidade de estresse extremo, os pastores e líderes eclesiásticos também o estão.  Afinal, a profissão de pastores é extremamente exigente e demanda muito do indivíduo. Uma das principais causas da síndrome estar tão presente em meio aos pastores é a negligência que muitos têm tido, ao nem mesmo observar sua própria saúde.  Segundo Calado, o Burnout pode inclusive anteceder à Depressão e na Igreja as possíveis causas dos dois casos podem ser as mesmas: o descaso das instituições com seus líderes e o descaso do próprio líder consigo mesmo.  As igrejas muitas vezes sugam seus pastores sem prestarem atenção a suas necessidades.   E o próprio líder muitas vezes negligencia sua própria saúde, não cuidando do corpo, da sua alimentação, de seu lazer, de sua família etc. — tudo isso para cumprir agendas ministeriais exageradas e “ter sucesso”. Outro fator que pode estar ligado à síndrome é a ideia de fracasso dentro das igrejas.  Assim, quando pastores não conseguem bater metas e objetivos, várias vezes perdem a autoconfiança, motivação e autoestima.  Por isso percebe-se que muitos pastores nos dias de hoje são infelizes e enxergam o ministério eclesiástico como um peso em suas vidas . Dados do Instituto Schaeffer confirmam esse pensamento com uma pesquisa feita nos Estados Unidos que afirma que:       1) 70% dos pastores lutam constantemente com a depressão;       2) 71% estão “esgotados”;       3) 72% dos pastores dizem que só estudam a Bíblia quando precisam preparar sermões;      4) 80% acredita que o ministério pastoral afeta negativamente as suas famílias;      5) 70% dizem não ter um “amigo próximo”. Percebe-se também que a perfeição é muito cobrada entre líderes cristãos.  Infelizmente a membresia de igrejas ainda enxerga o pastor como alguém que não pode errar e tem que fazer tudo de maneira impecável. E os próprios líderes acabam colocando esse peso neles próprios. A agenda de pastores nos dia de hoje só tem aumentado com visitas, pregações, estudos, reuniões administrativas, financeiras entre outras.  Comumente ele não podem nem mesmo negar-se a participar de novos eventos, por serem vistos como alguém que tem de servir à comunidade local a todo custo. Como prevenir o Burnout? É necessário estabelecer uma vida saudável, que abra espaços para o lazer e tempo com a família.  Quando a utopia é deixada de lado, percebe-se que não é necessário atingir todas a metas, aceitar todos os convites para qualquer evento e nem suprir as expectativas de todos ao seu redor. O Ministério da Saúde propõe 8 medidas para prevenir a Síndrome do Burnout ou até mesmo curá-la: Defina pequenos objetivos na vida profissional e pessoal. Participe de atividades de lazer com amigos e familiares. Faça atividades que “fujam” à rotina diária, como passear, comer em restaurante ou ir ao cinema. Evite o contato com pessoas “negativas”, especialmente aquelas que reclamam do trabalho ou dos outros. Converse com alguém de confiança sobre o que se está sentindo. Faça atividades físicas regulares. Pode ser academia, caminhada, corrida, bicicleta, remo, natação etc. Evite consumo de bebidas alcoólicas, tabaco ou outras drogas, porque só vai piorar a confusão mental. Não se automedique nem tome remédios sem prescrição médica. Para pastores e líderes da Igreja é importante seguir o conselho do Rowland Croucher, autor e pastor australiano  Croucher indica juntar-se a um pequeno grupo de apoio, pois colegas de ministério irão entender melhor as necessidades, aumentando a confiança e providenciando ampliação de suas visões de administração eclesiástica e aconselhamento pessoal. Burnout e a Bíblia A palavra de Deus também nos mostra como podemos prevenir o Burnout. Jesus Cristo nos ensina que o melhor

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O que é Espiritualidade Cristã e como desenvolvê-la

Ao escutarmos a palavra espiritualidade, uma enxurrada de coisas nos vêm à mente, por efeito de influências externas que condicionam a maneira como pensamos.  Porém, estudando mais a fundo a espiritualidade cristã, somos confrontados com a percepção de que tudo o que entendemos como espiritual, na verdade não é. Particularmente, quando penso em alguém espiritual, imagino um monge, ou até mesmo uma entidade isolada, que não tem contato com a maldade ou o pecado.  E você? O que vem a sua mente? Meu objetivo com este texto é entendermos o que realmente é ser espiritual e o como podemos desenvolver a nossa espiritualidade. Ser espiritual é ser humano  A teologia cristã reitera que, de fato, ser espiritual é ser cada vez mais humano. Isso porque, desde a fundação do mundo, fomos arquitetados por Deus para servir um propósito, e quanto mais espirituais nós somos, mais perto chegamos da finalidade para a qual fomos criados.  Desde o Éden, Satanás opera de modo a confundir o homem, fazendo com que pense que é mais ou menos do que foi criado para ser.  Todavia, só poderemos viver uma vida plena ao entender nossa identidade em Deus, nada menos e nada além de seres que existem para glorificá-lo. Mas o que significa ser espiritual? Creio que essa pergunta pode gerar um debate bem grande, mas quero respondê-la de uma maneira bem simples: ser espiritual é se tornar cada vez mais parecido com Jesus Cristo.  Ele é o nosso exemplo de ser humano, e a nossa meta a alcançar.  Acredito também que ser espiritual não se restringe a uma proclamação pública da fé, ou a esgotar todo conhecimento que há para ser estudado.  A principal forma de transmissão da espiritualidade se dá mediante nossas ações e nosso amor. Assim, uma pessoa espiritual permite que sua vida seja 100% conduzida pelo Espírito Santo.  O ponto de partida da espiritualidade cristã  Assim como a conversão é o início da vida para o cristão, é nela também que começa a se tornar espiritual.  Por consequência, o novo nascimento nos permite reconhecer quem somos, e a entender quem precisamos nos tornar (não por nossa própria força, mas pela graça de Deus). Quando olhamos para dentro de nós, em um processo de interioridade, percebemos que somos pecadores e precisamos de um Salvador.  O primeiro passo para se tornar alguém completo, é reconhecer a nossa natureza caída.  A Bíblia deixa bem claro o quão pecadores nós somos. Várias passagens nos mostram que não somos nada sem a graça e a misericórdia de Deus, como por exemplo:  Rm 3:10-23 Rm 7:14-1 1 João 1:8-10 Isaías 64:6 Graças a Deus por ter enviado a Jesus, porque a partir dEle podemos nos tornar mais espirituais, visto que não nos encontramos mais debaixo do poder do pecado. A santidade enquanto um processo  Caminhando um pouco mais, chegamos no processo de santidade. Não é chamado de processo à toa, pois deve ser desenvolvido pelo resto de nossas vidas.  Se ser santo é um mandamento direto do Senhor, a santidade é algo que devemos buscar diariamente.  “Vocês serão santos para mim, porque eu, o Senhor, sou santo, e os separei dentre os povos para serem meus.” (Lv 20:26) A santidade na Bíblia  Diferentemente do que muitos possam pensar, ser santo não é se isolar de tudo e todos, sem ter contato com ninguém para se manter puro.  Jesus quando ora por nós em João 17 diz:  “Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno. Eles não são do mundo, como eu também não sou. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo.” (Jo 17: 15) Essa passagem pode resumir o significado de santidade.  Não é fugir de tudo e se isolar. Não é se fechar em uma bolha gospel.  Na verdade é se encontrar em Cristo, ter sua identidade fixa em Deus e ir em direção ao mundo levando a boa notícia de que fomos salvos. Gosto do exemplo de Daniel para definir isso: ele morava na grande Babilônia, mas se diferenciava dos demais, desde sua dieta até a sua religião. Desse modo, sua história nos traz a confirmação e a esperança de que é possível viver em meio ao mundo, sem deixar de ser luz. Sem deixar de ser espiritual. As pessoas ao redor dele enxergavam o Deus de Israel em tudo que ele fazia. Entendendo a espiritualidade cristã Na busca pela espiritualidade, também passamos por tópicos como a religião, a fé, a razão e a humildade.  A seguir, abordaremos brevemente cada um deles.  Religião  Por religião, compreende-se a busca constante do ser humano para preencher um vazio inerente à sua existência, que todos possuem dentro de si.  Tal vazio equivale-se ao disposto no livro de Eclesiastes: “Deus pôs a eternidade no coração do homem sem que este saiba as obras que Deus fez do princípio até fim.” (Ec 3:11)  Assim, o homem acaba sendo levado a fazer de tudo para se sentir preenchido, desde boas ações até cultos místicos.  É justamente nesse sentido que a religião se diferencia da revelação.  A religião assimila condutas por meio das quais o ser humano tenta trilhar seu caminho até Deus, enquanto a relevação diz respeito à aproximação de Deus, que se revela por meio de sua graça ao homem. Em toda a Bíblia vemos Deus se revelando. Um Deus misericordioso, que mesmo com a rebelião do homem, envia seu Filho para morrer a nossa morte. De Gênesis a Apocalipse, temos Deus vindo em direção à humanidade, restabelecendo nossa relação com Ele. Fé  A fé é o ato de crer e praticar. Quando alguém declara ter fé em determinada crença, mas o seu estilo de vida não abrange aquilo que diz acreditar, certamente não tem fé.  Seria melhor colocar: eu não tenho fé, mas sim a fé me tem. É algo além de nós. A Bíblia nos diz que a fé é um dom de Deus. E sem dúvida um aspecto

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Quais são as Cinco Linguagens do Amor? Saiba como as expressões de afeto impactam um relacionamento

Muitos relacionamentos não dão certo, pois as pessoas não compreendem a linguagem do amor do cônjuge/namorado. Sim. O amor é expressado através de linguagens diferentes. Quem constatou essa realidade foi Gary Chapman, pastor de fé cristã e autor do Best-seller “As Cinco Linguagens do Amor”, após trinta anos de aconselhamento conjugal. Segundo ele, assim como existem diversas linguagens no mundo, como português, inglês, espanhol, chinês, dentre outros, no âmbito do amoroso é a mesma coisa. Nesse post, vamos aprender o que são essas cinco linguagens e como compreendê-las é essencial para qualquer relacionamento. O que são as cinco Linguagens do Amor? As linguagens do amor são as diferentes maneiras como as pessoas expressam o amor que sentem por outros e também a forma como se sentem amadas. No mundo, se quisermos nos comunicar de forma eficiente com alguém que fala outra língua, é preciso aprender a sua linguagem ou então o diálogo será limitado. No relacionamento, sua linguagem emocional e a do seu cônjuge podem ser tão diferentes, que vocês nunca entenderão como amar o outro.  Seria como se um estivesse falando chinês e o outro português. E qual é o problema disso? De acordo com o autor, todos nós temos um “tanque emocional” ou “tanque do amor”, que precisam estar abastecidos (de amor, claro), para que tenhamos um relacionamento saudável (casamento ou namoro). Quando um dos cônjuges/namorados, ou os dois, está com o tanque emocional vazio, o relacionamento se desgasta.  Assim, a sensação que o casal tem é de que não se amam mais e não possuem o desejo de permanecerem juntos. Em seu livro, Gary faz uma advertência importante que nos ajuda a compreender essa ideia de que precisamos nos sentir amados: “Estou convencido de que manter o tanque de amor emocional abastecido é tão importante para o casamento quanto manter o nível correto de óleo num automóvel. Seguir a jornada pelo casamento com um “tanque do amor” vazio pode lhe custar muito mais caro que guiar seu carro sem óleo.” (As 5 linguagens do amor – Gary Chapman; traduzido por Emirson Justino. – 3 ed. – São Paulo: Mundo Cristão, 2013, p. 22/24). Antes de adentramos efetivamente nos tipos de linguagens, é importante lembrar que não estamos falando aqui de paixão, estamos falando de amor. A diferença entre amor e paixão A paixão, segundo Chapman, é uma experiência que causa euforia.  A pessoa fica obcecada pela outra, não consegue enxergar os defeitos que ela possui, acha que são o casal perfeito e serão felizes para sempre após o casamento. “Somos levados a acreditar que, se estivermos realmente apaixonados, a empolgação durará para sempre. Sempre teremos os maravilhosos sentimentos que temos neste momento. Nada poderá se colocar entre nós. Nada superará o amor que sentimos um pelo outro.” (p. 28). Isso parece coisa de novela, né? Mas não é.  Existem pessoas que pensam assim e se frustram quando se encontram no mundo real do casamento. O amor não é isso!  Nossa necessidade emocional mais básica não é de estarmos apaixonados, mas de sermos amados pelo outro, de forma racional, por meio de uma escolha. Sim. O amor é uma escolha! Ele requer esforço e disciplina, que nos faz gastar energia para beneficiar a outra pessoa, sabendo que, assim, também estaremos satisfeitos. Assim, refletimos o amor de Jesus Cristo em nossos relacionamentos, um amor de entrega pelo outro. Quais são as Cinco Linguagens do Amor? Após entendermos a importância de abastecermos o nosso tanque do amor, vamos descobrir quais são as linguagens e como podemos descobrir a nossa linguagem primária e a do nosso cônjuge. Lembrando que, cada pessoa pode ter mais de uma linguagem de amor, mas na maioria das vezes há uma que se destaca. Outra coisa importante é que, apesar de o foco aqui ser o relacionamento amoroso, as linguagens do amor podem ser aplicadas para todo tipo de relacionamento.  Pais e filhos, amigos, irmãos, e até na relação íntima com Deus (o autor possui uma variedade de livros intitulados “As 5 Linguagens do Amor” que tratam desses relacionamentos específicos). Então, quais são as cinco linguagens do amor? 1 – Palavras de Afirmação Uma das maneiras de expressar o amor é por meio de palavras edificantes e muitos casais desconhecem isso. E a primeira linguagem do amor é denominada “Palavras de afirmação”.  Ou seja, muitas pessoas se sentem amadas ao receber afirmações verbais do seu companheiro, como elogios, palavras encorajadoras, palavras gentis, palavras humildes, dentre outras. Isso significa que, para essas pessoas, as palavras importam muito (mais do que para outras pessoas que não tem essa linguagem como a principal) e, ao receber palavras afirmativas, elas se sentem mais seguras no relacionamento, mais inspiradas, mais felizes. Por outro lado, palavras críticas ou ofensivas causam um enorme impacto negativo nessas pessoas. Então, se seu cônjuge ou namorado possui como linguagem do amor principal as palavras de afirmação, você deve lembrar que palavras são importantes e se esforçar para agradá-lo dessa forma. Lembrando que não devemos usar da bajulação para obter o que queremos. Mas para o outro se sentir bem e amado.  Porém, como consequência, ao recebermos palavras afirmativas, existe uma motivação a mais para retribuir com algo que agrade o companheiro. 2 – Tempo de Qualidade A segunda linguagem do amor diz respeito ao tempo que é oferecido àquele que amamos. Tempo de qualidade significa dar atenção completa ao outro.  Não é apenas sentar no sofá e assistir televisão juntos, pois nessa situação o protagonista não é o cônjuge, mas o apresentador do programa ou o ator. As expressões desse tipo de linguagem são: conversar olhando nos olhos, sair para passear, ir ao restaurante, fazer algo que o outro gosta (mesmo que não seja tão interessante para você). De acordo com Chapman: “Um ingrediente fundamental para oferecer tempo de qualidade ao cônjuge consiste em dedicar-lhe atenção focada, especialmente em tempos de tantas distrações.” (p.61). Importante lembrar que, um dos dialetos dessa linguagem é a “conversa de qualidade”.  Se a linguagem de amor do seu cônjuge/namorado

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Os Quatro Amores (Storge, Philia, Eros e Ágape): conheça e entenda os diferentes tipos de amor!

Junho é o mês dos namorados e é certamente o mês em que mais se ouve falar do amor. Mas afinal de contas, o que é o amor? O entendimento do amor é fundamental para toda sociedade e em especial para aqueles que compartilham da fé cristã. Deus é Amor, de fato, mas o amor é Deus? Nem sempre que dizemos a palavra “amor” queremos dizer a mesma coisa. Das mais diversas definições, a mais comum é a divisão entre o amor romântico e o amor fraternal, mas seriam esses os únicos tipos que existem? Vamos ver hoje que na verdade, podemos dividir o amor em 4 tipos diferentes.  O texto de hoje é baseado na obra “Os Quatro Amores” de C.S Lewis e vamos conhecer cada um dos 4 tipos de amor e o que caracteriza cada um deles. Afeição (Storge) Amizade (Philia) Amor romântico (Eros) Caridade (Ágape) Vamos entender melhor essas definições e analisar de forma profunda o que, de fato, é o amor. A distinção dos Amores Para iniciar a nossa descoberta dos amores, vou introduzir com a primeira distinção dos amores que Lewis faz. Antes de entrar nos Quatro Amores, é necessário entender a diferença entre o Amor-Dádiva e o Amor-Necessidade O Amor-Dádiva e o Amor-Necessidade Eles serão a base para entendermos os conceitos de cada tipo de amor. O Amor-Dádiva é o amor mais parecido com o próprio Deus, é o amor que faz um homem trabalhar e lutar pelo futuro de seus filhos, mesmo que não esteja lá para usufruir de tudo que conquistou. É o amor de Deus pela humanidade, que dá tudo que é e tem a Jesus, e Jesus tem o mesmo amor pelo Pai, entregando-se de volta ao Pai e se dando ao mundo. Já o Amor-Necessidade é o que reflete a nossa natureza humana, nascemos desamparados, nus, vulneráveis e assim que nos damos conta dessa realidade, experimentamos a solidão. Precisamos dos outros se quisermos saber qualquer coisa, inclusive sobre nós mesmos.  O Amor-Necessidade é o que faz uma criança correr assustada e sozinha para os braços da mãe, como viu Platão, nosso Amor-Necessidade é o filho da pobreza. A intenção de Lewis, não é apresentar o Amor-Necessidade como uma coisa ruim e feia, mas demonstrar que esse tipo de amor pode ser usado de forma egoísta e destrutiva.  Como o próprio Lewis diz: “Uma demanda tirânica e voraz por atenção, pode ser horrível. Entretanto, ninguém chama uma criança de egoísta só porque ela busca conforto em sua mãe, ou um adulto ‘companhia’ em seu par.”  Onde existe o Amor-Necessidade pode haver sim, pontos de atenção para que ele não se torne uma coisa ruim.  Mas seres humanos que não o sintam, são os que chamamos de egoístas e frios, tendo em vista que precisamos uns dos outros, não sentir necessidade de outros é um sintoma ruim, assim como a falta de apetite, já que realmente precisamos nos alimentar. “O amor torna-se um demônio, no momento em que se torna um deus.” Deus é amor, mas o inverso não é verdadeiro.  Quantas atitudes foram justificadas como “foi por amor”, como se o amor pudesse ocupar tamanho nível de devoção a ponto de ser suficiente. O gostar e o amar em relações sub-humanas Quando crianças, fomos diversas vezes repreendidos por “amar” coisas, Lewis menciona que na sua criação isso ocorreu também, na língua inglesa isso se dava pelos termos “gostar” e “amar”.  Nós brasileiros ainda tínhamos outro verbo polêmico nesse sentido, o “adorar” (especialmente para crianças cristãs). Quem nunca ouviu a famosa frase “adorar somente a Deus” quando o sentido da frase era somente “gostar muito”.  Bom, acredito que você já tenha entendido a minha contextualização da visão de Lewis sobre o assunto. Prazer Necessidade e o Prazer de Apreciação Gostar de algo significa ter algum tipo de prazer, sendo o prazer dividido por Lewis em dois tipos: Prazer Necessidade: Que são os que se tornam prazeres apenas se precedidos pelo desejo, como por exemplo, um gole d’água que sacia uma sede intensa. Prazer de Apreciação: Que são os prazeres em si mesmos sem necessitar de nenhum tipo de preparação, como por exemplo, um cheiro muito bom que sentimos ao caminhar por um jardim.  Um vício pode transformar um prazer do primeiro tipo em prazer do segundo tipo. Quando prazeres-necessidade estão em evidência, tendemos a fazer afirmações sobre nós mesmos no tempo passado. Já nos prazeres-apreciação tendemos a afirmar sobre o objeto de prazer no tempo presente. Essa água matou a minha sede. (prazer-necessidade) Essas flores têm um cheiro muito bom. (prazer-apreciação) Os prazeres-necessidade prenunciam os nossos amores-necessidade. Nesse último, a pessoa amada é vista em relação às nossas próprias necessidades, assim o Amor-Necessidade não durará mais do que a própria necessidade.  Outro amor precisa estar incluído e sustentá-lo quando a necessidade desaparecer. Nosso Amor-Necessidade por Deus está em uma posição diferente, já que a nossa dependência por Ele nunca acaba, porém a nossa consciência dessa necessidade pode enfraquecer e dessa forma, nosso Amor-Necessidade também se esvai. O prazer apreciativo e o amor apreciativo entre homens e mulheres geram admiração; entre o homem e Deus, gera adoração. Nosso Amor-Necessidade por Deus nos faz clamar a partir de nossa pobreza, o Amor-Dádiva deseja servir e até mesmo sofrer por Deus. Já o amor-apreciativo nos faz dar Graças a Ele por sua grande Glória. Nosso Amor-Necessidade entre humanos é o que diz “não posso viver sem ele (a)”.  Nosso Amor-Dádiva aspira cuidar da pessoa mesmo se não recebermos nada e o amor-apreciativo suspira, alegra-se, apenas pelo fato da pessoa existir. Normalmente, esses três elementos se misturam. Os Quatro Amores Agora que entendemos essa divisão base, podemos compreender o conceito dos Quatro amores apontados por C.S. Lewis. Vamos ver, um a um, e apresentar suas principais características: Afeição: Storge É o mais simples e mais amplamente difuso dos amores. O amor Storge é aquele pelo qual nossa experiência parece diferir pouco dos animais (e com essa afirmação Lewis ressalta que não está desprezando

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Quem foi Ester na Bíblia: Conheça a história da Rainha Ester e a sua importância!

A história de Ester é surpreendente e inspiradora. Ela foi uma das mulheres mais importantes da Bíblia e sua vida nos traz grandes aprendizados.  Ester revela uma espiritualidade fervorosa, marcada por uma verdadeira confissão de caráter, foi uma mulher exemplar em devoção, fé, coragem, sabedoria e humildade. Neste post vamos conhecer quem ela foi, como se tornou rainha e como foi usada por Deus para salvar a nação de Israel.  Além de aprendermos muito com a vida dela. Então, vamos lá! Quem foi Ester? Ester é uma das mulheres mais importantes de toda a história bíblica. Ela se tornou rainha da Pérsia e foi usada por Deus para salvar todo o povo hebreu. Ela era judia, foi criada por seu primo Mordecai na Pérsia, já que era órfã. Nessa época, a nação de Israel estava sob exílio no reino persa. Ester era muito atraente e bonita e, por isso, se tornou rainha.  O Significado do nome Ester  O nome hebraico de Ester é Hadassa e significa mirta ou murta, que é uma flor bonita e popular.  Quando Hadassa entra para o harém real, ela recebe o nome de Ester, possivelmente pela designação dada à mirta, palavra bastante próxima da raiz do termo que designa tanto “mirta” como “estrela”, a forma da flor.  A história de Ester na Bíblia  O livro de Ester foi escrito aproximadamente entre 470 e 486 a.C, e acredita-se, que foi escrito por Esdras.  A história ocorreu em Susã, uma das três capitais do império persa, que se estendia da Índia à Etiópia, compreendendo também algumas ilhas do Mediterrâneo.  Ester viveu num tempo de grande perigo, pois seu povo, os israelitas, estavam em exílio, após a destruição da cidade Jerusalém.  A rainha nasceu quando o povo judeu já estava sob domínio persa há mais de 120 anos. Assuero e Vasti  A história de Ester começa quando o Rei Persa Assuero (provavelmente o rei Xerxes) deu uma grande festa para os seus servos e príncipes, para exibir suas riquezas e glória do seu reino. A rainha Vasti (antecessora de Ester no trono) é convocada para o rei exibir sua formosura. Ela, porém, se recusa a atender ao chamado do rei Assuero de estar em sua presença.  Por este motivo, o rei fica furioso e resolve destituir Vasti do seu cargo de Rainha. Para substituir a rainha Vasti, o rei cria um concurso de beleza para que seja escolhida no reino a jovem mais bela e formosa para se tornar rainha.  As jovens mais bonitas de todas as 127 províncias do reino Persa foram convocadas para se apresentar ao rei, e, dentre elas estava Ester. Ester é feita Rainha  Durante o concurso criado pelo Rei, as jovens ficavam recebendo, durante 12 meses, tratamentos especiais de beleza e especiarias.  Quando chega ao harém, Hegai (o responsável pelas mulheres do concurso) se encanta com a beleza de Ester e dá a ela o melhor lugar na casa, as melhores vestes e os melhores alimentos. Os 12 meses se passaram e as jovens foram chamadas a presença do rei. Nesta ocasião cada uma levava um presente para adornar-se, entretanto, ao contrário das outras jovens, Ester não escolheu nada além do que já possuía.  Quando ela se apresenta ao rei, sua beleza o impressiona e ele a ama mais que todas as outras jovens.  Imediatamente, Ester é coroada rainha no lugar de Vasti.  Entretanto, mesmo após ser coroada Rainha, Ester mantém-se obediente ao seu primo Mordecai e não revela sua identidade judaica, visto que os judeus sofriam grande perseguição naquela época. Mordecai e o plano para tirar a vida do Rei  Preocupado com sua prima, que havia sido criada como filha, Mordecai visitava frequentemente o palácio de Susã.  E, numa dessas visitas, Mordecai escuta quando dois oficiais planejam uma conspiração para assassinar o rei.  Mordecai conta à Rainha Ester que informa o plano ao rei. Ao descobrir a veracidade dos fatos, o rei manda enforcar os oficiais que conspiravam contra ele e o plano conspiratório é escrito nos registros históricos. O plano de Hamã contra Mordecai  Algum tempo depois, Hamã, nobre e amalequita, é exaltado e colocado como o 1º ministro, sendo o segundo no reino abaixo do Rei.  E, por isso, naquele tempo foi publicado um decreto do rei para que todos adorassem Hamã. Entretanto, como Mordecai era judeu e servo de Deus, ele se recusa a se curvar diante de Hamã.  Hamã fica muito enfurecido com Mordecai e todo o povo judeu e requer ao rei que os judeus sejam punidos por não o adorar.  O rei concede o pedido de Hamã e publica novo decreto para que seja destruído o povo judeu.  O pedido de Mordecai a Ester  Quando Mordecai toma conhecimento do decreto contra o povo, se entristece bastante, rasga suas vestes e cobre-se de cinzas (costume da época). Ester fica sabendo da tristeza de Mordecai e se entristece também. Preocupada com seu primo, ela manda que seus servos descubram o motivo da tristeza de Mordecai. Mordecai conta para Ester o plano terrível de Hamã e pede para que ela interceda pelo povo o judeu perante o rei.  Acontece que naquela época, quem fosse à presença do rei sem ser convidado, seria condenado a morte, exceto se o rei estendesse seu cetro de ouro. Por isso, Ester fica receosa e teme por sua vida. Porém, seu primo a alerta de que ela também era judia e não seria poupada apenas por estar no palácio.  Além disso, ele fala que se não for por Ester, a ajuda para o povo judeu se levantará de outra parte (Et 4:13-14).  Com isso, Ester pede a Mordecai que ele e todo o povo judeu ore e jejue por 3 dias e, informa que, ela e suas servas fariam o mesmo.   Os dias se passam e Ester coloca suas vestes reais para ir à presença do rei. O rei, ao avistá-la, estende seu cetro de ouro e diz: “pede-me o que quiseres e até metade do reino eu te darei.” (Et 5:3) Ester,

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Cristão Solteiro: entenda por que a solteirice é uma bênção

Talvez o título seja um pouco espantoso, afinal, a “missão” do crente solteiro é casar, não é mesmo?  Ficar sozinho é muitas vezes encarado como um fardo, uma derrota, então, como assim ser solteiro é uma “bênção”? Neste post, baseado na pregação a “Benção de ser Solteiro”, do Pastor João Eduardo, vamos entender por que nós, como cristãos, não devemos lamentar a solteirice. O tempo de ser solteiro A primeira coisa importante a se esclarecer é que existe tempo para tudo.  Esta frase é tão usada que acaba perdendo um pouco do seu significado, afinal, a resposta para todas as coisas, sempre volta na questão do tempo!  A risco de cair na zona do “clichê”, devemos sim, ser pacientes e esperar o tempo certo, mas não porque é o que todos dizem, e sim, porque é o que está na Bíblia. “Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria.” (Sl 90:12). O que é contar os dias? Contar os dias é ter o entendimento de que todos os momentos em nossa vida vão passar e de que as condições e situações vão mudar.  Por causa disso, vivermos cada uma delas com a consciência de que é preciso aproveitá-las ao máximo de acordo com o que Deus tem para nós, e isto é alcançar a sabedoria. Casamento não preenche um vazio A segunda coisa importante a se esclarecer é que um relacionamento não vai te encher.  Não vai te fazer ter mais intimidade com Deus. Não vai facilitar sua vida em santidade. Não vai te fazer feliz. O casamento não vai te ajudar a se sentir completo! A única maneira de alcançar verdadeira completude de ser, alma e mente, é Cristo! Para sermos saciados e verdadeiramente cheios, temos que ter comunhão e relacionamento com Cristo, e não com nossa “cara metade”.  Afinal, de que adianta ser casado, porém não ter uma verdadeira união com Ele? De que adianta querer amar tão profundamente alguém sem saber o que é o Amor verdadeiro? Não me leve a mal, ter comunhão e relacionamento com um parceiro também é importante.  Mas no tempo de ser solteiro, a única “preocupação” que devemos ter é Deus (1Co 7:32). Pois, é por meio da união com Ele que existe a verdadeira liberdade, capaz de gerar frutos. Lembrando que não estou dizendo que você não deve procurar alguém para se relacionar, ou que casar é algo ruim.  Como existe tempo certo para tudo na vida, no seu tempo de ser solteiro, preocupe-se em estabelecer primeiramente uma base relacional com Deus, e se aprofunde nela. Um bom relacionamento/casamento é baseado em duas pessoas que são completas, plenas e resolvidas em Cristo Jesus! *Confira aqui tudo sobre o mito da “pessoa certa”! O que é ser completo Nesse sentido, como é uma pessoa “completa, plena e resolvida em Cristo”? “Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio… Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito. Não sejamos presunçosos, provocando uns aos outros e tendo inveja uns dos outros.” (Gl 5:22-26). Estas qualidades do ser “completo em Cristo” vão vir por meio do seu relacionamento com Jesus! Andar em comunhão com a igreja, meditar diariamente na palavra, procurar crescer mais em sabedoria, ser melhor amigo de Deus.  Essas são todas ações que você precisa almejar. Tarefas que apenas são possíveis de realizar individualmente.  Somente assim é possível parar de ser um crente carnal, afinal aqueles que vivem no Espírito, de modo algum satisfarão os desejos da carne! E isso tudo começa com o seu culto racional, ou seja, a sua vontade individual de querer dispor do seu tempo e priorizar a leitura da Palavra todos os dias.  Isso é um relacionamento, um compromisso com o Altíssimo.  É entregar nossos problemas para o Senhor, confiar nEle e pedir para Ele nos capacitar em meio às tribulações. A partir do momento que você passar a buscar, é apenas uma questão de tempo até você querer mais, ler mais, orar mais, se saciar mais.  E somente assim você vai ouvir a voz do Senhor e vai começar a ver a mão dEle em sua vida, desenvolvendo então, uma sensibilidade espiritual! Agora que os dois aspectos mais importantes da vida de solteiro já foram esclarecidos, isto é, saber o tempo certo e o buscar a Deus quando solteiro, é possível entrar na questão da “bênção de ser solteiro”. A bênção se encontra no privilégio de poder se concentrar somente no Senhor! A benção de ser um cristão solteiro “O homem que não é casado preocupa-se com as coisas do Senhor, em como agradar ao Senhor. Mas o homem casado preocupa-se com as coisas deste mundo, em como agradar sua mulher, e está dividido.” (1 Co 7:32-34).” Paulo nos esclarece perfeitamente qual a vantagem de ser solteiro: ele tem a liberdade de servir ao Senhor intensamente! Não ter que se preocupar com nada além de viver uma vida que agrade ao Senhor, com disponibilidade para servir, para fazer a obra de Deus, para conhecer novas pessoas, é uma dádiva.  Afinal, como Paulo diz, em 1 Coríntios, o homem casado está dividido, pois não é possível viver uma vida com outra pessoa sendo uma só carne, para então ignorá-la e fazer o que quiser, na hora que quiser (mesmo que seja fazendo a obra de Deus).  Os dois tem que ser companheiros, tomando decisões conjuntas que as vezes vai diferir de seus próprios objetivos individuais, diminuindo sua liberdade. Em vez de ficar solteiro, se preocupando somente em casar, é importante viver o melhor de Deus que foi feito para você solteiro. “Okay, já vivo uma vida plena com o Altíssimo, já sei o que Deus tem para mim, já aproveitei ao máximo as bênçãos de ser solteiro.  Por que que mesmo assim ainda existe aquele medinho de nunca conseguir encontrar alguém?” Ah, mas a parte mais difícil é o esperar!  Como esperar em Deus Esperar em Deus é uma tarefa difícil porque não

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Quem foi Raabe na Bíblia? Conheça a heroína da fé e as suas lições para nossa vida

Raabe é uma das personagens mais marcantes da Bíblia. Além de ser uma das poucas mulheres citadas na genealogia de Jesus Cristo, ela é a única mencionada dentre os heróis da fé. A história de Raabe é também uma grande lição para as nossas vidas, especialmente nos dias atuais. Vivemos um tempo em que fomos obrigados a nos retrair, ficar em casa, isolados de tudo e todos.  Os relacionamentos se tornaram quase que totalmente digital, pois além da nossa família, não nos relacionamos com quase ninguém pessoalmente.  E nisso começamos a criar dúvidas existenciais na procura de entender este momento, e muitas vezes questionamos a Deus.  Será ele mesmo soberano? Será que Deus possui realmente o controle sobre todas as coisas? Como será a vida após esse extenso isolamento? A igreja continuará relevante?  E na história da Bíblia, essa personagem muito interessante, nos ensina que o cristianismo perdura em meio à qualquer obstáculo. E ainda é incluída como uma heroína da fé (Hb 11:31).  Na história de Raabe podemos ver a graça, misericórdia, bondade, e providência de Deus. Em suma ela mostra que a graça de Deus é capaz de alcançar pessoas impossíveis, e não há limite para seu amor e misericórdia em salvar pecadores. Vamos conhecer um pouco mais sobre ela. Contexto: a história de Raabe na Bíblia A história de Raabe está no livro de Josué, e a principal parte dela está no capítulo 2.  A história toda acontece quando o povo de Deus já havia saído do Egito, Moisés já os levou pelo deserto, mas ele morreu e quem assumira a liderança do povo era seu braço direito, Josué.  Então, Josué estava a caminho da terra prometida e estava enfrentando o primeiro grande obstáculo: Jericó.  Para se estabelecerem em Canaã, eles precisavam passar por Jericó. Mas, na época, as cidades eram todas construídas dentro de muros, esses eram muito altos e espessos, e haviam pessoas que construíam suas casas neles.  Os muros tinham objetivo de proteger a cidade contra invasores e eram praticamente impenetráveis. Josué era um cara esperto. E para conseguir passar por aquelas muralhas ele enviou dois espiões para colherem informações sobre a cidade, governo, sobre o muro etc.  Os espiões foram, portanto, para um local estratégico, onde passavam vários comerciantes, viajantes, mercadores locais e forasteiros. Eles foram a um prostíbulo.  Por irem em um local tão movimentado, fora dado a notícia para o rei de Jericó que haviam dois estranhos entre eles colhendo informações.  Quem é Raabe, a prostituta? Nesse momento da história, entra Raabe. Ela era uma prostituta (ou a dona do prostíbulo), e sustentava sua família com a prostituição, que era uma prática relativamente comum na época. A notícia que haviam dois estranhos andando por Jericó se espalhou bem rápido, e foi parar no rei (Js 2:2-3).  Com isso, a cidade toda entrou em alerta, e o rei desconfiou que os espiões estavam no prostíbulo de Raabe, com isso, por lógica, ela deveria entregá-los. Raabe protege os espiões Raabe, porém, escondeu os espiões.  Ela não os entrega para o governo de Jericó como deveria. Mas, por quê? Se pararmos para analisar, Raabe não tinha por que arriscar escondê-los.  Ela poderia tê-los entregue honrando seu reino, sua liderança, ou como queira chamar. E ela explica porque fez isso (Js 2:8-21). Ela tinha ouvido as coisas que Deus fez por seu povo ao tirá-lo do Egito.  Como ela sabia?  Como falamos, ela trabalhava em um bordel, e muitos viajantes, além de vários moradores da cidade, iam até lá.  Assim, Raabe ouviu as histórias sobre as pragas que Deus mandou ao Egito para libertar o seu povo e sobre como Ele fez o mar se abrir para que os hebreus passassem.  Ela ouviu tudo isso. Ouviu e creu.  A fé de Raabe em Deus já era presente antes mesmo dela ter falado diretamente com aqueles que eram o povo de Israel.  Por isso, ela abriga os espiões em sua casa para eles não serem pegos, e pede que em recompensa do sacrifício que ela fez, eles poupassem a ela e sua casa.  Portanto, foi acordado que no dia em que os israelitas forem invadir Jericó, ela colocaria um fio vermelho sobre sua porta sinalizando que não eram para atacar àquela casa. E assim foi feito. Raabe a heroína da fé Mas, caro leitor, gostaria de trazer um questionamento para vocês.  Raabe é uma heroína da fé. Por quê?  Ela mentiu para seu povo, traindo-o sem pensar duas vezes. E mesmo assim ela é uma heroína da fé. A mentira dela não tem problema, já que é para o Senhor?  Não. Toda mentira é pecado. Inclusive a que ela contou.  No texto bíblico, o autor não deixa de contar que ela mentiu, e muito menos de dizer que “tá de boa”, é uma mentira irrelevante.  O verdadeiro motivo de Raabe ser uma heroína da fé é que ela teve certeza, plena convicção daquilo que Deus é, daquilo que ele fez, e principalmente de seu amor e graça.  Ela creu na palavra que recebeu. Raabe não viu nenhum dos milagres do Deus de Israel. Simplesmente ouvindo falar sobre Ele e as histórias, ela soube, pela fé, que ele era o Deus Vivo.  Demonstrando que, de fato, a fé se dá pelo ouvir a palavra de Deus. (Rm 10:17). *Conheça também a história de Ester na Bíblia. Lições que podemos aprender com Raabe Nesse momento você pode estar se perguntando: “mas como a história dela revela a graça, misericórdia e providência de Deus igual tinha dito no começo?” Vamos ver então cada um desses três tópicos revelados sobre a vida dela e como podemos aprender com Raabe e confiar no Senhor. Graça Raabe revela a graça de Deus e a maneira que ela alcança os piores, os improváveis, aqueles que ninguém sequer consideraria digno de possuir uma chance.  Deus pode tê-los como filhos, se ele bem quiser, como demonstrado com Raabe. Ela era uma prostituta e não fazia parte da nação escolhida por Deus. Ainda assim, o

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